3 de dez. de 2010

´´Vila Aliança Memória em Cinco Minutos``




Cultura é um dos pontos fracos da região de Bangu e devido a essa carência o GPS do Jornalismo resolveu dar voz a um dos batalhadores que faz um trabalho cultural na zona oeste. A Acerb entrevistou o grafiteiro Jeferson Cora, um dos fundadores do Centro Cultural A Historia Que Eu Conto. Jeferson é diretor do filme ‘Vila Aliança Memória em Cinco Minutos’ lançado na Mostra Competitiva do Festival Internacional de Cinema de Arquivo no Arquivo Nacional – RECINE. Leia a entrevista e conheça um pouco da historia da Vila Aliança, zona oeste do Rio de Janeiro.

GPS - Qual a história do filme?
Jeferson Cora - O Filme aborda o surgimento da Vila Aliança, que é o primeiro Conjunto Habitacional da América Latina, fruto da Política de Remoções da década de 60 do Governo Lacerda. Suas raízes históricas e a contribuição dos moradores para o seu avanço.

GPS - Qual o objetivo de fazer o filme sobre a Vila Aliança?

JC - Geralmente o que é mostrado sobre as Comunidades Populares é a violência, sofrimento e miséria. O intuito do filme é resgatar os aspectos históricos. Muitos moradores da Vila Aliança não conhecem suas origens, logo não se sentem pertencentes ao local. Vila Aliança Memórias em Cinco Minutos é o primeiro filme da Comunidade com esse propósito. Pretendemos utilizá-lo como ferramenta educacional, fazendo exibições em escolas, instituições, empresas, fomentando rodas de debates e pontos de reflexões, ou seja, como cidadãos, que contribuições podemos dar para termos uma melhor condição de vida aqui no bairro e uma sociedade mais justa.

GPS - Como foi fazer um filme histórico em apenas 5 minutos?

JC - Foi um Desafio. Abordar 47 anos em 5 minutos deu um frio na barriga muita responsabilidade, mas foi um processo recompensador, ouvir as histórias dos primeiros moradores, o brilho nos olhos de cada um e a imensa vontade de serem ouvidos,foi sensacional.

GPS - Quais foram as dificuldades encontradas na produção do curta?

JC - Infelizmente a Vila Aliança não tem um registro único da sua História e a nossa maior dificuldade foi conseguir imagens da época, foi praticamente impossível, pelo pouco tempo que tínhamos. Depois de muitas pesquisas conseguimos imagens no Acervo do Arquivo Nacional, do Jornal Correio do Amanhã, imagens do Morro do Pasmado, Praia do Pinto, Favela do Esqueleto, dos então chamados na época, Favelados da Guanabara etc. Tinham cada foto maneiríssimas e nós usamos.

GPS - Quais foram os apoios que você recebeu nessa produção?

JC - O apoio da equipe do Centro Cultural A História Que Eu Conto, os conhecimentos transmitidos nas oficinas do Recine pelo Professor Carlos Alberto Mattos, dos amigos de turma do Recine, a equipe do Arquivo Nacional foram fundamentais. Teve também uma pessoa que foi fundamental nesse processo, o Editor Junior Rosa, que escreveu o roteiro comigo, só gente da pesada e o resulto foi bem legal.

GPS - Onde o filme já foi exibido?

JC - O Filme participou da Mostra Competitiva do Festival Internacional de Cinema de Arquivo no Arquivo Nacional, que foi do dia 25 a 29 de outubro e por enquanto só fizemos uma exibição na Faculdade Unisuam, em Campo Grande, em uma palestra que nós do Centro Cultural A História Que Eu Conto fomos convidado dar, relacionada ao Empreendedorismo Cultural.

GPS - Qual será o futuro do curta metragem?

JC - Pretendemos circular nas TVs Comunitárias, participar de Festivais, ciclo de palestras, exibir aqui no nosso Cine Clube e na Praça principal da Vila Aliança, divulgar nas redes, veicular na internet etc.

GPS - Você tem algum novo projeto?

JC - Vila Aliança Memórias em Cinco Minutos é o ponto de partida para o nosso próximo Documentário que se chamará "Retratos de Vila Aliança", terá 25 minutos, assim poderemos mergulhar mais na História, a previsão é que a gente comece a filmar em fevereiro de 2011.
O grande objetivo é que as outras pessoas da nossa região se apropriem dessa idéia e comece a contar suas próprias historias, ou suas raízes. Premiando e dando visibilidade as questões positivas!

12 de nov. de 2010

'José & Pilar'

O documentário ‘José & Pilar’ está em cartaz por todo o Brasil. O filme é uma seleção de imagens do diretor Miguel Gonçalves Mendes que acompanhou, durante três anos, o escritor português José Saramago e a jornalista espanhola Pilar Del Rio. Eles eram casados e o escritor, que morreu em junho de 2010, era 28 anos mais velho.

O longa tem como ponto de partida a criação do romance “A viagem do elefante”, de 2008, e termina na viagem de divulgação dele no Brasil. Saramago recebeu o Nobel de Literatura de 1998 e o livro ‘Ensaio Sobre A Cegueira’ foi adaptado para o cinema pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles.

Veja o Trailler!


3 de nov. de 2010

Debate sobre o livro A Elite da Tropa 2 na UFRJ

Aqueles que gostaram do livro A Elite da Tropa ou dos filmes, terão a oportunidade de participar do debate sobre o segundo livro.
O Fórum de Ciência e Cultura (FCC) em parceria com o Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE) da UFRJ realizarão no dia 4 de novembro um debate sobre o livro A Elite da Tropa 2 com Luiz Eduardo Soares, autor do livro e ex-coordenador de Segurança no Rio de Janeiro. O debate será feito no Salão Dourado, localizado no 2º andar do Palácio Universitário, no campus da UFRJ da Praia Vermelha. O endereço é Av. Pasteur, 250, Urca.
O evento também terá a participação de Cristiane Costa, professora e coordenadora de jornalismo da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO), Renato Lessa, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutor em Ciencia Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), e José Elisenberg, professor da Faculdade de Direito (FD) da UFRJ e doutor em Ciência Política pela Universidade de Nova York.

A entrada é franca!

29 de out. de 2010

Escola Popular de Comunicação Crítica


O Observatório de Favelas abriu inscrições para o processo seletivo da nova turma da Escola Popular de Comunicação Crítica (Espocc). As aulas terão início em janeiro de 2011 e os interessados devem enviar o currículo e carta de apresentação por email ou entregar na sede da instituição. O candidato precisa ter afinidade com as áreas de comunicação e cultural, estar cursando ou ter terminado o Ensino Médio e possuir conhecimento de informática.

O curso vai apresentar teorias, métodos e ferramentas para a comunicação. A Espocc tem o objetivo de criar uma nova linguagem realizada por jovens de comunidades populares e pretende ser um espaço de informação que proporcione vivências de análise crítica. O curso tem 50 vagas com duração de10 meses e ao final do os alunos receberão um diploma de extensão emitido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Acesse o Edital de seleção

A instituição fica na Rua Teixeira Ribeiro, 535 – Parque Maré. O e-mail para a inscrição é seleção.espocc@gmail.com e o telefone para contato (21) 3104 4057.

Conheça o site do Observatório de Favelas: http://www.observatoriodefavelas.org.br/

25 de out. de 2010

IMPRESSOES DE IDENTIDADE: UM OLHAR SOBRE A IMPRENSA GAY NO BRASIL


Livro expõe um estudo detalhado sobre trabalhos da imprensa brasileira voltados para o público homossexual.


Autor: Jorge Cae Rodrigues

Editora: EDUFF


"Impressões de identidade é o resultado de uma investigação vigorosa acerca da formação da imprensa gay no Brasil, entre os anos de 1978 e 1995, em que se levam em consideração, não apenas em paralelo, mas como parte constituinte do processo, os movimentos sociais, políticos, culturais e históricos que envolveram os periódicos em questão e a própria formação da identidade gay contemporânea no Brasil. A pesquisa abrange todo o material presente nos periódicos analisados, isto é, desde o conteúdo dos artigos, seções e colunas diversas até o projeto gráfico, conformando uma análise precisa entre o conteúdo e as opções gráficas e estéticas de cada jornal ou revista, o que revela, num quadro maior, as estratégias necessárias de apelo ao leitor.
Partindo do jornal O lampião da esquina, 1978-1981, e chegando à publicação da revista Sui Generis, 1995-2000, Caê traça o mapa da memória mais recente do que se denomina, genericamente, comunidade gay brasileira. Mapa que serve tanto ao pesquisador, em busca de informações e análises mais precisas para além da mera descrição, quanto ao leitor, menos comprometido com as atividades acadêmicas. É como mapa da memória e carta de navegação da história recente que a pesquisa de Caê ganha seu maior relevo – posto que a identidade gay, no fim da década de 1970, é completamente diversa daquela que se encontra 10, 20 ou 30 anos depois, seja nas páginas dos jornais e revistas brasileiros, identificados com o público gay, seja nas ruas, como indivíduos, seja nas formas de representações artísticas ou da própria indústria cultural. "(Mário César Lugarinho, Universidade de São Paulo)

7 de out. de 2010

''Opiniões Públicas''



“O que vou dizer não deve agradar a ninguém. No fim, algumas pessoas talvez acusem este repórter de cuspir no próprio prato, e a organização talvez seja acusada de acolher idéias hereges e perigosas. Mas a complexa estrutura das redes de TV, publicidade e patrocinadores não serão abalada ou alterada. É meu dever usar de certa franqueza para falar com vocês, mensageiros sobre o que está acontecendo no rádio e na televisão. Se o que eu disser for responsabilizado, sou eu o único responsável pelas minhas declarações. A nossa história é resultado do que fazemos. Se houver historiadores daqui a 50 ou 100 anos e se houver material de uma semana das três emissoras, haverá provas em preto-e-branco e em cores da decadência, alienação e falta de cobertura da realidade que vivemos. Atualmente, nós estamos ricos, gordos, seguros e complacentes. Somos inclinados a evitar informações desagradáveis e perturbadoras. A nossa mídia reflete essa atitude. Mas, exceto se esquecer os lucros e reconhecer que a televisão está sendo usada para distrair, enganar, entreter e nos isolar, então a TV e os que a patrocinam, assistem e que nela trabalham, terão uma visão bem diferente, mas tarde demais.”
Declaração de Edward R. Murrow em evento da Fundação e Associação de Diretores de Notícias do Rádio e da Televisão.
“Tributo a Edward R. Murrow (25 de outubro de 1958)”.




"Tem dias em que alguns setores da imprensa são uma vergonha. Os donos de jornais deviam ter vergonha. Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos. Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública e nós mesmo nos informamos". Presidente Lula no comício do dia 18/09/10 em Campinas, São Paulo.

O pronunciamento do presidente Lula mostra o que Edward Murrow explica em seu discurso com a diferença de que um é governante, o outro é funcionário da imprensa televisiva. O jornalista faz um desabafo aos profissionais que tem o dever de levar todas as informações para que todos possam formar a opinião pública, enquanto o presidente está fazendo um protesto contra meios de comunicação que insistem em divulgar supostos escândalos do seu governo. Lula, ao se tornar presidente da república, deixou de ser uma pessoa do público para ser um funcionário público com o dever de servir a toda população que tem o direito de cobrá-lo.

O conceito de opinião pública teve inicio na Revolução Francesa quando o povo lutou contra a monarquia que dava o direito das riquezas para o rei e os deveres para os camponeses e burgueses. As revoluções aumentaram na Europa com o crescimento da burguesia, que conseguiu destruir o poder do rei junto com o Iluminismo. O espaço que era dominado pelo rei começou a ser considerado lugar público. Então, toda idéia de fiscalização de cada indivíduo com o intuito de melhorias para a população era considerada opinião pública, ou seja, as pessoas começaram a lutar para ser tornarem cidadãos com direito ao gozo dos direitos civis e políticos de um Estado.

Atualmente, a imprensa é considerada a principal voz do povo, com o dever de cobrar dos administradores do poder público. Mas como cobrar dos políticos se eles são favorecidos pelos grandes empresários que são donos das mídias e patrocinam as campanhas para a eleição dos candidatos? A única forma de um jornalista, pequena parte da imprensa, fiscalizar e denunciar corrupções que acontecem nos governos é enfrentar os empresários donos das mídias, como o jornalista Edward Murrow, ou usar o meio mais democrático e independente, a internet. Local onde pode publicar informações que nem sempre são consideradas de interesse do público na visão da ‘‘elite formadora de opiniões’’.

Quando o presidente Lula fala que vai derrotar a imprensa e que nós somos a opinião pública, ele se esquece de explicar quem são os formadores da opinião pública. Será o povo brasileiro que ele representa, são os políticos que ele controla ou os empresários financiadores das campanhas? O presidente é o principal administrador do Estado e deve ser vigiado pelo público que cria a verdadeira opinião pública, porque se ele é o público quem vai fiscalizar o país?

A grande questão é: Será que é possível a opinião pública ser verdadeiramente representada na imprensa brasileira? Até então a única coisa de que podemos ter certeza, é de que ela é criada, nem sempre pelo público. Tudo que leva o título “opinião pública” se torna um instrumento formador de manipulação, mesmo se estiver sendo intitulado erroneamente.

‘‘Jornal do Brasil – Memória de um secretário – Pautas e Fontes’’



O ex- secretário de redação do Jornal do Brasil, Alfredo Herkenhoff, lança o livro em homenagem ao jornal carioca de 119 anos que parou de circular em papel no mês de setembro de 2010. O livro ‘‘Jornal do Brasil – Memória de um secretário – Pautas e Fontes’’ (edição do autor, 336 páginas, R$70) conta histórias dos bastidores da redação do JB onde o autor trabalhou durante 20 anos. O periódico foi o primeiro jornal online do Brasil e agora será publicado somente no mundo virtual.