29 de out. de 2010

Escola Popular de Comunicação Crítica


O Observatório de Favelas abriu inscrições para o processo seletivo da nova turma da Escola Popular de Comunicação Crítica (Espocc). As aulas terão início em janeiro de 2011 e os interessados devem enviar o currículo e carta de apresentação por email ou entregar na sede da instituição. O candidato precisa ter afinidade com as áreas de comunicação e cultural, estar cursando ou ter terminado o Ensino Médio e possuir conhecimento de informática.

O curso vai apresentar teorias, métodos e ferramentas para a comunicação. A Espocc tem o objetivo de criar uma nova linguagem realizada por jovens de comunidades populares e pretende ser um espaço de informação que proporcione vivências de análise crítica. O curso tem 50 vagas com duração de10 meses e ao final do os alunos receberão um diploma de extensão emitido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Acesse o Edital de seleção

A instituição fica na Rua Teixeira Ribeiro, 535 – Parque Maré. O e-mail para a inscrição é seleção.espocc@gmail.com e o telefone para contato (21) 3104 4057.

Conheça o site do Observatório de Favelas: http://www.observatoriodefavelas.org.br/

25 de out. de 2010

IMPRESSOES DE IDENTIDADE: UM OLHAR SOBRE A IMPRENSA GAY NO BRASIL


Livro expõe um estudo detalhado sobre trabalhos da imprensa brasileira voltados para o público homossexual.


Autor: Jorge Cae Rodrigues

Editora: EDUFF


"Impressões de identidade é o resultado de uma investigação vigorosa acerca da formação da imprensa gay no Brasil, entre os anos de 1978 e 1995, em que se levam em consideração, não apenas em paralelo, mas como parte constituinte do processo, os movimentos sociais, políticos, culturais e históricos que envolveram os periódicos em questão e a própria formação da identidade gay contemporânea no Brasil. A pesquisa abrange todo o material presente nos periódicos analisados, isto é, desde o conteúdo dos artigos, seções e colunas diversas até o projeto gráfico, conformando uma análise precisa entre o conteúdo e as opções gráficas e estéticas de cada jornal ou revista, o que revela, num quadro maior, as estratégias necessárias de apelo ao leitor.
Partindo do jornal O lampião da esquina, 1978-1981, e chegando à publicação da revista Sui Generis, 1995-2000, Caê traça o mapa da memória mais recente do que se denomina, genericamente, comunidade gay brasileira. Mapa que serve tanto ao pesquisador, em busca de informações e análises mais precisas para além da mera descrição, quanto ao leitor, menos comprometido com as atividades acadêmicas. É como mapa da memória e carta de navegação da história recente que a pesquisa de Caê ganha seu maior relevo – posto que a identidade gay, no fim da década de 1970, é completamente diversa daquela que se encontra 10, 20 ou 30 anos depois, seja nas páginas dos jornais e revistas brasileiros, identificados com o público gay, seja nas ruas, como indivíduos, seja nas formas de representações artísticas ou da própria indústria cultural. "(Mário César Lugarinho, Universidade de São Paulo)

7 de out. de 2010

''Opiniões Públicas''



“O que vou dizer não deve agradar a ninguém. No fim, algumas pessoas talvez acusem este repórter de cuspir no próprio prato, e a organização talvez seja acusada de acolher idéias hereges e perigosas. Mas a complexa estrutura das redes de TV, publicidade e patrocinadores não serão abalada ou alterada. É meu dever usar de certa franqueza para falar com vocês, mensageiros sobre o que está acontecendo no rádio e na televisão. Se o que eu disser for responsabilizado, sou eu o único responsável pelas minhas declarações. A nossa história é resultado do que fazemos. Se houver historiadores daqui a 50 ou 100 anos e se houver material de uma semana das três emissoras, haverá provas em preto-e-branco e em cores da decadência, alienação e falta de cobertura da realidade que vivemos. Atualmente, nós estamos ricos, gordos, seguros e complacentes. Somos inclinados a evitar informações desagradáveis e perturbadoras. A nossa mídia reflete essa atitude. Mas, exceto se esquecer os lucros e reconhecer que a televisão está sendo usada para distrair, enganar, entreter e nos isolar, então a TV e os que a patrocinam, assistem e que nela trabalham, terão uma visão bem diferente, mas tarde demais.”
Declaração de Edward R. Murrow em evento da Fundação e Associação de Diretores de Notícias do Rádio e da Televisão.
“Tributo a Edward R. Murrow (25 de outubro de 1958)”.




"Tem dias em que alguns setores da imprensa são uma vergonha. Os donos de jornais deviam ter vergonha. Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos. Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública e nós mesmo nos informamos". Presidente Lula no comício do dia 18/09/10 em Campinas, São Paulo.

O pronunciamento do presidente Lula mostra o que Edward Murrow explica em seu discurso com a diferença de que um é governante, o outro é funcionário da imprensa televisiva. O jornalista faz um desabafo aos profissionais que tem o dever de levar todas as informações para que todos possam formar a opinião pública, enquanto o presidente está fazendo um protesto contra meios de comunicação que insistem em divulgar supostos escândalos do seu governo. Lula, ao se tornar presidente da república, deixou de ser uma pessoa do público para ser um funcionário público com o dever de servir a toda população que tem o direito de cobrá-lo.

O conceito de opinião pública teve inicio na Revolução Francesa quando o povo lutou contra a monarquia que dava o direito das riquezas para o rei e os deveres para os camponeses e burgueses. As revoluções aumentaram na Europa com o crescimento da burguesia, que conseguiu destruir o poder do rei junto com o Iluminismo. O espaço que era dominado pelo rei começou a ser considerado lugar público. Então, toda idéia de fiscalização de cada indivíduo com o intuito de melhorias para a população era considerada opinião pública, ou seja, as pessoas começaram a lutar para ser tornarem cidadãos com direito ao gozo dos direitos civis e políticos de um Estado.

Atualmente, a imprensa é considerada a principal voz do povo, com o dever de cobrar dos administradores do poder público. Mas como cobrar dos políticos se eles são favorecidos pelos grandes empresários que são donos das mídias e patrocinam as campanhas para a eleição dos candidatos? A única forma de um jornalista, pequena parte da imprensa, fiscalizar e denunciar corrupções que acontecem nos governos é enfrentar os empresários donos das mídias, como o jornalista Edward Murrow, ou usar o meio mais democrático e independente, a internet. Local onde pode publicar informações que nem sempre são consideradas de interesse do público na visão da ‘‘elite formadora de opiniões’’.

Quando o presidente Lula fala que vai derrotar a imprensa e que nós somos a opinião pública, ele se esquece de explicar quem são os formadores da opinião pública. Será o povo brasileiro que ele representa, são os políticos que ele controla ou os empresários financiadores das campanhas? O presidente é o principal administrador do Estado e deve ser vigiado pelo público que cria a verdadeira opinião pública, porque se ele é o público quem vai fiscalizar o país?

A grande questão é: Será que é possível a opinião pública ser verdadeiramente representada na imprensa brasileira? Até então a única coisa de que podemos ter certeza, é de que ela é criada, nem sempre pelo público. Tudo que leva o título “opinião pública” se torna um instrumento formador de manipulação, mesmo se estiver sendo intitulado erroneamente.

‘‘Jornal do Brasil – Memória de um secretário – Pautas e Fontes’’



O ex- secretário de redação do Jornal do Brasil, Alfredo Herkenhoff, lança o livro em homenagem ao jornal carioca de 119 anos que parou de circular em papel no mês de setembro de 2010. O livro ‘‘Jornal do Brasil – Memória de um secretário – Pautas e Fontes’’ (edição do autor, 336 páginas, R$70) conta histórias dos bastidores da redação do JB onde o autor trabalhou durante 20 anos. O periódico foi o primeiro jornal online do Brasil e agora será publicado somente no mundo virtual.